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Bruxas & Assombrações (Condado Maldito#1) - Cullen Bunn

  • Foto do escritor: Thiago de Andrade
    Thiago de Andrade
  • 29 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 28 de jun. de 2024






Sinopse: Emmy sempre soube que a floresta ao redor de sua casa estava cheia de fantasmas e monstros. No entanto, na véspera de seu aniversário de dezoito anos ela descobre que está conectada a essas criaturas — e à própria terra — de uma maneira que não imaginava ser possível.


"Mas o livre-arbítrio tem um jeito de transformar cordeiros em lobos, de corromper fé e lealdade transformando-as em ódio e medo..."

Nesse primeiro volume, Condado Maldito traz uma bruxa com uma pitada mais histórica, como as de Salem, mas sem perder o foco no fantástico. Essa junção agrega um vislumbre de profundidade social, ao mesmo tempo que enriquece a experiência atmosférica visual pelo uso de diferentes tipos de criaturas, sempre atrativo para quem gosta de quadrinhos. Necromancia, as "peles falantes" e o simbolismo da vida através do ventre da árvore são elementos interessantes que se destacam.

A construção do feminino, seus símbolos e representações sociais são demonstradas desde o prólogo e se estendem à gerações posteriores dentro do enredo, onde fica claro que o tempo não diminuiu a superstição do condado. E é nesse embate que podemos extrair as melhores reflexões do livro.


O medo do desconhecido, a quebra habitual do antigo papel das mulheres na sociedade, bem como seu autoconhecimento, poder e liberdade, servem como espelhos para a parte da sociedade atual que ainda se apega ao medo de "fantasmas" criados por sí mesmos para validar seus preconceitos e manter seus privilégios, disfarçando-os como tradicionalismos e falsa moralidade.


Ainda que seja da Darkside e tenha como protagonista uma adolescente, o que acaba evidenciando alguns elementos de problematização familiar típica da idade, não se trata de uma HQ puramente juvenil, uma vez que se fazem necessárias por estarem ligadas às raízes da trama, o autoconhecimento de Emmy e motivações dos outros personagens. A arte se aproveita do cenário de fazenda e floresta para introduzir a paleta de cores puxadas para tons de madeira, azuis esverdeados e preto, dando um tom estranho, porém bucólico e misterioso. Contrapondo, o amarelo e vermelho iluminam as cenas noturnas e trazem o calor da vida, seja através da fogueira e bruxaria, do sangue ou do cabelo louro da protagonista. A escolha de colorir com aquarela foi outra opção certeira. As pinceladas visíveis criando borrões no céu escuro e na floresta, com o traço mais simplista e emotivo dos personagens, dão um toque fantasmagórico e ameaçador que constroem a ambientação exata para a história.


Algumas ressalvas...


Embora seja apenas o primeiro livro, é necessário dizer que há pouco de novo sendo abordado aqui. Ainda que traga alguns paralelos interessantes para refletir, não a nada que outras obras já não tenham feito com maior profundidade e habilidade. É fácil desconfiar para onde a trama nos levará. Também não vá esperando algo gore, com muita violencia e horror por conta do título da série, pois a chance de se frustrar será grande. O peso é dado mais pelo clima construído pelas ilustrações de Tyler Crook.


O livro pode deixar a impressão de desenvolvimento corrido e mudanças de atitudes um pouco atropeladas. O ritmo mais acelerado é energético para quem já prefere HQs pelo dinamismo e rapidez, mas pode dar impressão de desenvolvimento corrido e mudanças de atitudes um pouco atropeladas, ainda mais por se tratar de uma série, onde se tem mais tempo para trabalhar os acontecimentos de forma cadenciada e elaborada.


Considerações Finais e extras sobre a edição.


Acredito que os próximos volúmes rompam a linearidade e apresentem flashbacks ou outro recurso que aos poucos nos entregue mais detalhes também dos eventos anteriores. Vale se deixar levar pela arte sombria e a estranheza da protagonista (quem sabe até por um desejo de vingança incentivada pela trama), pois espaço pra evolução gradual, tem. Mas baixei minha expectativa por algo mais sanguinário, aprofundado e original (o último sendo sempre uma expectativa ingrata).


A edição também traz Sketchbook dos artistas com comentários, ilustrações de outros artistas (como Jeff Lemire) e a primeira parte da romantização serializada, formato inicialmente pensado para a história, enriquecendo muito o material final.





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