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Outro Conceito apresenta: Cartola Editora

  • Foto do escritor: Thiago de Andrade
    Thiago de Andrade
  • 30 de set. de 2024
  • 5 min de leitura


Fundada em 2018, na cidade de São Paulo, a Cartola Editora se destaca por seu compromisso com a literatura nacional, o capricho de suas edições e pela publicação de livros que atendem nichos pouco explorados por editoras guiadas apenas por apelo comercial.


O editor-chefe e escritor, Rodrigo Barros, mais conhecido como "Rodo", revela que a ideia inicial era lançar um selo para a publicação de suas próprias obras, mas a iniciativa cresceu e se transformou no que é hoje. Durante a 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em uma entrevista exclusiva para a Outro Conceito, Rodo compartilhou mais detalhes sobre essa trajetória, os desafios de uma editora independente e suas visões do mercado literário. Confira!


Outro Conceito: Para começar, fale um pouco sobre a editora para quem ainda não conhece.


Rodrigo Barros: O intuito da Cartola é abrir espaço para o autor nacional. Focamos em fazer concursos literários, temos dois concursos de contos por mês, com várias temáticas diferentes, com o objetivo de abrir espaço para os autores independentes que querem publicar seus textos. As participações não são pagas, a gente faz financiamento coletivo e os autores participam com divulgação. O mais importante é abrir espaço para os autores contemporâneos.


Além disso, já traduzimos alguns livros e apresentamos obras mais desconhecidas de autores nacionais renomados. Um exemplo é o livro Bruxo do Cosme Velho, de Machado de Assis, que reúne contos de terror, mistério e literatura fantástica. Antes de produzir obras famosas como "Dom Casmurro" ou "O Alienista", procuramos explorar um lado menos conhecido do autor.


Quando as pessoas falam "ler um autor clássico é difícil" ou "ler Machado de Assis é cansativo", nós sugerimos: "comece lendo esses contos aqui que você vai descobrir que é muito bom". Depois, o leitor pode seguir para os grandes clássicos, que talvez sejam leituras mais densas, mas já terá se familiarizado com a escrita do autor. Acho que isso é o mais importante para conseguirmos aproximar o público dos autores clássicos e valorizar a literatura nacional.


O.C: Quais são os principais desafios de uma editora de livro independente?


RB: A principal dificuldade é financeira, afinal não temos um grande investidor. Fazemos muitos financiamentos coletivos, e com isso criamos uma comunidade de autores e leitores que apoiam o nosso trabalho. Já publicamos mais de 200 livros através de financiamento coletivo.


Hoje, fazemos o máximo para vender online, pois para entrar em livrarias enfrentamos alguns obstáculos: primeiro, a livraria precisa aceitar nossos livros. Depois, há a consignação, com descontos de 50%, o que torna tudo mais difícil para quem não tem um grande investimento para imprimir e distribuir uma grande quantidade de livros.

Para nós, é um trabalho de formiguinha. Por isso, participar de feiras e eventos (como a Bienal do Livro) é essencial para expandir nossa comunidade. As pessoas nos conhecem, gostam dos nossos livros, e, com o tempo, começam a nos apoiar. Muitos dizem: "Apoiei esse e aquele livro, mas não apoiei este, então vou comprar".


O.C: Como vocês enxergam o impacto da Bienal do Livro para editoras independentes?


O impacto é gigantesco. Estamos na travessa literária pela segunda vez aqui em São Paulo. Estivemos também na Bienal do Rio, mas dividimos o estande com outras editoras. Participei de uma reunião com a CBL, em que pedimos para ter um espaço dedicado às editoras independentes, algo que não existia antes. Isso foi um grande avanço. Conversamos sobre a necessidade de valores mais acessíveis, já que antes era muito caro para os participantes. Acho que ainda dá pra melhorar. A Bienal poderiacriar um espaço similar ao Artist's Alley da Comic Con, com mesas para o produtor independente, não apenas de livros, mas também de bottons, adesivos e outros produtos, para que possam ter essa oportunidade de mostrar seu trabalho.


Mas ter um espaço como a travessa literária para editoras independentes já é muito importante. Antes, ficávamos em estandes apertados, mas agora temos uma área maior, que nos dá mais amplitude. Com esse espaço, não apenas conseguimos vender mais, mas também interagir melhor com leitores, autores e colaboradores. Conheci pessoas que trabalham para mim há tempos e nunca tinha visto pessoalmente. Também podemos dialogar com distribuidores e profissionais do mercado editorial, o que é enriquecedor, não só financeiramente, mas também para a divulgação da nossa marca e obras. Por isso, o impacto da Bienal é sempre enorme. Sendo o maior evento cultural do livro no Brasil, é uma oportunidade única de promover e fomentar a leitura. Por isso, é essencial ter espaços como esse e espalhá-los por todo o país.


OC: Os livros de literatura estrangeira lançados pela Cartola são, em maioria, de autores mais antigos, como Lovecraft, Poe e Oscar Wilde. A editora prioriza uma tradução mais literal ou adapta o texto para uma linguagem contemporânea?


  RB: Depende muito do tradutor. Eu, como tradutor, procuro ser o mais fiel possível à escrita do autor, para que o livro não fique muito diferente da obra original. Quem pega um livro de Edgar Alan Poe, por exemplo, quer que o texto esteja o mais parecida possível da versão original. Essa é a minha estratégia.


Mas dependendo do livro, a gente pode repensar. Por exemplo, eu traduzi um livro chamado "O Mundo Mágico", de Edith Nesbit, um dos primeiros livros de contos de fadas modernos. Em casos como esse, fazemos algumas adaptações para facilitar a compreensão das crianças. A linguagem precisa ser um pouquinho mais fácil, porque o leitor é mais jovem. Mas, no geral, eu procuro deixar o texto o mais próximo possível da escrita original do autor.


OC: Como vocês estão lidando com as mudanças do mercado editorial e as novas mídias, como ebooks e audiobooks?


 RB: Por ter apenas seis anos, a Cartola já nasceu no mundo tecnológico, produzindo ebooks e impressão sobre demanda. Não temos estoque grande, trabalhamos com pequenas quantidades para vender em feiras, que é mais sustentável e demanda menor investimento.


Recentemente, passamos a produzir audiolivros pela Toca Livros. Já temos dois lançados, e acabamos de assinar contrato para mais 12 obras. Para nós, a tecnologia e as mudanças que ela traz são oportunidades de tornar os livros mais acessíveis. Pessoas com deficiência visual podem agora acessar nossas obras, assim como quem tem dislexia ou dificuldades de leitura. Tenho amigos, por exemplo, que antes não gostavam de ler, mas agora adoram ouvir audiolivros.


O Brasil é um país que mais ouviu o rádio no mundo, e agora é um dos países que mais consome podcasts. Então, é natural que o audiolivro ganhe cada vez mais espaço. Quando eu era criança, já existiam aqueles discos coloridos, que eram uma espécie de audiolivro. Isso já faz parte do DNA do brasileiro.


Muitas vezes pensamos: "Quem lê não vai querer ouvir" ou "Quem ouve, não quer ler". Mas nem precisa ser o mesmo público; com as novas tecnologias, alcançamos um público muito maior. Isso é extremamente valioso para o mundo literário. Todos saem ganhando. As novas ferramentas só ampliam nossa capacidade de atingir públicos diversos.


O.C: Quais são os próximos lançamentos da Cartola?


R.B: Vamos lançar grande parte da coleção de João do Rio, autor que será homenageado na Flip. Além disso, estamos procurando trazer livros traduzidos por tradutores clássicos, como Machado de Assis e estamos publicando a coleção de Oscar Wilde traduzida por João do Rio; o primeiro título foi O Retrato de Dorian Gray, lançado aqui na Bienal do Livro. Em breve, vamos lançar Salomé e outros ensaios traduzidos por ele. Esse é o principal foco do nosso catálogo para este ano.

 

Os 10 livros mais vendidos da Cartola durante a 27ª Bienal do livro de São Paulo, em ordem decrecente.



Para saber sobre as antologias abertas e como participar, acesse o site da editora www.cartolaeditora.com

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